A gestão em tempos de IA
- Prof. Celso Orth

- há 1 dia
- 2 min de leitura

Vivemos um tempo ainda confuso de aplicações da inteligência artificial. Os direcionamentos da ferramenta se voltam para todos os lados e isso acontece em praticamente qualquer setor.
Estamos tentando terceirizar tarefas, ganhar tempo e aumentar a eficiência.
Quando falamos de conteúdos, organização, análise e controle de dados, isso fica muito claro.
Mas será que é só isso?
Será que a IA vai absorver a maioria dos protocolos necessários ao funcionamento de uma clínica?
Imagino que ela não vá melhorar, por si só, uma clínica desorganizada, desestruturada e incapaz de questionar o que está certo ou errado.
No momento em que a velocidade e a precisão da IA impressionam, existem mecanismos nativos da mente humana que continuam absolutamente necessários para conduzi-la.
As ideias, as escolhas e o pensamento crítico ainda precisam passar pelo nosso cérebro, pelo menos por enquanto. E isso traz luz sobre as necessidades de uma gestão eficaz, consciente das particularidades de cada clínica.
Essas individualidades, somadas à cultura construída ao longo do tempo, caracterizam a maneira como pensamos, decidimos e conduzimos a evolução da clínica.
A IA, também por enquanto, é uma ferramenta extraordinária, capaz de oferecer recursos antes inimagináveis para organizar informações, analisar dados e apoiar decisões. Tudo isso é extremamente valioso para a gestão.

Mas, na odontologia, ainda é tempo de humanos pilotarem os atendimentos.
A escuta ainda é padrão-ouro nas consultas e nos tratamentos.
Os processos são essenciais para o funcionamento de uma equipe. A IA pode contribuir muito para estruturá-los, analisá-los e aperfeiçoá-los, mas eles precisam ser filtrados e adaptados à realidade da clínica.
Sem esquecer que a mentalidade dos líderes continuará determinando a direção do movimento de uma equipe.
De nada adianta incorporar IA se os processos não estiverem de acordo com o pensamento, a cultura e o funcionamento da clínica.
Agora, quando existem processos claros, associados a uma mentalidade de gestão igualmente clara, a IA se torna extremamente valiosa. Pode refinar processos, revelar informações, reduzir tarefas e contribuir para um ambiente mais eficiente.
A tecnologia melhora a produtividade. A gestão é que define a direção.
Só não podemos imaginar, quando se trata da prestação de serviços em saúde, feita por pessoas, para pessoas, que a IA seja, sozinha, a solução.
Os líderes precisam continuar liderando. Precisam fazer o time caminhar com direção e preservar o lado mais sensível do atendimento: o humano.
Este jamais vai sair de moda.


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